
Paróquia em Cascavel realiza 21ª edição da Encenação da Paixão de Cristo e espera público de mais de 4 mil pessoas
25/03/2026 • 5 min


A Igreja no Brasil inaugurou um novo horizonte pastoral com a aprovação oficial das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (2026-2032). Sob a rica imagem bíblica da “tenda”, inspirada no profeta Isaías, o episcopado nos convida ao acolhimento, à hospitalidade e a uma autêntica vivência da sinodalidade. É no coração desse espírito comunitário que o capítulo cinco do documento assume papel central, apresentando os cinco caminhos da missão. Longe de romper com a bela trajetória eclesial anterior, esses itinerários apontam caminhos concretos para uma conversão pastoral capaz de responder, com criatividade e ardor, aos desafios do nosso tempo.
O primeiro caminho proposto é a Animação Bíblica da Vida e da Pastoral. A CNBB reforça que a Palavra de Deus não pode ficar restrita a momentos isolados ou a grupos específicos de estudo. Ela deve ser a alma de toda a ação evangelizadora, perpassando transversalmente as pastorais, os movimentos e as decisões cotidianas de cada batizado. Uma Igreja que escuta a Palavra é uma Igreja que aprende a discernir a vontade do Senhor para o hoje da história.
O segundo itinerário é a Iniciação à Vida Cristã. O documento propõe superar definitivamente uma catequese entendida como mera transmissão intelectual de conteúdos ou como simples preparação burocrática para a recepção dos sacramentos. O objetivo é consolidar um autêntico caminho de inspiração catecumenal, que proporcione um encontro pessoal, transformador e permanente com Jesus Cristo, formando verdadeiros discípulos missionários.
Como terceiro eixo, surgem as Comunidades de Discípulos Missionários. Este é o caminho central, para o qual os demais convergem. É também, talvez, o mais desafiador de alcançar. Ao mesmo tempo, é profundamente original quando contemplamos a experiência das primeiras comunidades cristãs e, de modo especial, a missão de São Paulo, que se destacou como grande organizador e animador de comunidades. Diante de uma sociedade fragmentada e marcada pelo individualismo exacerbado, este caminho busca fortalecer a corresponsabilidade na missão e reavivar o calor da vida comunitária. O documento nos impulsiona a valorizar e multiplicar as pequenas comunidades eclesiais, os grupos de reflexão e outras formas de convivência fraterna, nas quais a partilha da fé e a solidariedade mútua se tornam testemunhos vivos do Evangelho.
O quarto caminho une, de modo inseparável, a Liturgia e a Piedade Popular. Reconhecidas como fontes inesgotáveis da vida cristã, as celebrações sacramentais e as expressões sinceras da devoção do povo são espaços privilegiados de encontro com o mistério de Deus. A liturgia, bem celebrada, alimenta o caminhar comunitário, enquanto a piedade popular encarna a fé na cultura do nosso povo, expressando uma mística profunda e legítima.
Por fim, o quinto caminho se desdobra no Serviço à Vida Plena para todos. A missão eclesial precisa transbordar os muros dos templos e manifestar-se em compromissos concretos e inegociáveis: a opção evangélica e preferencial pelos pobres, o cuidado urgente com a Casa Comum, na perspectiva da ecologia integral, e a defesa da dignidade de toda pessoa humana, desde a concepção até o seu fim natural.
Acolher as novas Diretrizes em nossa Arquidiocese significa, portanto, alargar o espaço da nossa tenda. Somos convocados a caminhar juntos, superando o clericalismo e valorizando o protagonismo e a corresponsabilidade de todos os batizados. Que a celebração do nosso Cinquentenário e os próximos anos de vigência das novas Diretrizes da CNBB sejam um tempo fecundo de renovação pastoral, transformando nossas paróquias e comunidades em autênticos espaços de acolhimento, escuta, comunhão, intensa missionariedade e esperança para o mundo.
Por - Dom José Mário Scalon Angonese
Data de Publicação
Terça-feira, 6 de outubro de 2026
08:54
Autor
Alice Zanini
Tempo de Leitura
5 minutos
Categoria
Arquidiocese Cascavel

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