
CORPUS CHRISTI 2026 | 09h | Catedral Nossa Senhora Aparecida
15/05/2026 • 5 min


A teologia reconhece a mulher como portadora da dignidade divina, com um chamado para exercer sua vocação na família, na igreja e na sociedade.
Na Bíblia Sagrada encontramos inúmeras citações que mencionam o papel da mulher na sociedade. De modo geral, a teologia cristã, partindo da criação em Gênesis, reconhece a mulher como criada à imagem e semelhança de Deus, o que estabelece uma igualdade essencial, de valor e dignidade, ao homem.
Frequentemente o seu papel é interpretado como de "ajudadora", que não significa inferioridade, mas uma parceria essencial, alguém que complementa o homem onde ele é incompleto.
Por sua vez, Jesus rompeu paradigmas de sua época ao valorizar, ensinar e incluir mulheres em seu círculo de discípulos, dando-lhes dignidade social e religiosa, muitas vezes desprezadas na cultura da época.
Já na sociedade, o papel da mulher sempre se destacou na formação da família, na educação dos filhos e na transmissão de valores, sendo vista como uma força fundamental na estrutura familiar. Enquanto na Igreja, tem presença atuante à frente de pastorais, movimentos e serviços sociais.
Para contextualizar tudo o que representa este ‘ser mulher’, conversamos com a Professora Andreia Cristina Serrato, Doutora na área de Teologia Sistemática - Mística e Corporeidade, Mestre em Teologia e Professora do Programa de Pós-graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde leciona as disciplinas de Introdução à Teologia, Antropologia Teológica, Teologia da Espiritualidade, Mariologia. Ela também participa de grupos de Pesquisa no Brasil e em Portugal e faz parte da ABM (Associação Brasileira de Mariologia) e da Rede Brasileira de Teólogas.

1. Professora, falando da inspiração da mulher em todos os seus sentidos e da sua presença na sociedade, a primeira pergunta é pessoal: O que te inspirou a seguir no ramo da Teologia, com um olhar especial para as mulheres?
A teologia não foi apenas uma escolha acadêmica, mas uma resposta a uma inquietação profunda: qual é a minha missão no mundo? Os Exercícios Espirituais Inacianos marcaram profundamente minha trajetória, porque são para mim uma escola de discernimento e de escuta da vontade de Deus. Foi nesse caminho que minha vida tomou um rumo novo: de designer de interiores, tornei-me teóloga, sem imaginar, no início, que também seria professora.
O olhar especial para as mulheres também não nasceu como um projeto de pesquisa, mas da própria vida. Sou mulher, leiga, esposa e mãe. Aos poucos, fui percebendo que minha teologia brotava desse lugar concreto e me levava a olhar com mais atenção para aquilo que é humano, cotidiano e, muitas vezes, invisibilizado. Por isso, estudar teologia com atenção à experiência das mulheres foi algo que nasceu naturalmente: uma forma de pensar a fé a partir da vida real, onde Deus continua se revelando.
2. A partir dos estudos em Teologia você praticamente mudou sua carreira profissional. Como é pra você estudar a Teologia a partir do olhar feminino?
Sim, houve uma mudança profunda. Eu amava minha profissão anterior, mas, como diria Santo Inácio de Loyola, fui conduzida pelo magis, esse “mais” que nos orienta a buscar aquilo que mais nos aproxima de Deus. Para mim, esse caminho foi a Teologia.
Hoje, faço teologia a partir do meu lugar concreto no mundo: como mulher, inserida na sociedade, na Igreja e nas relações cotidianas. É a partir desse lugar que penso, rezo, estudo e ensino. E isso não significa fazer uma teologia “apenas sobre mulheres”, mas assumir uma hermenêutica que nasce da experiência vivida.
O olhar feminino, nesse sentido, não se reduz a uma questão de tema, mas de perspectiva. Ele tende a perceber com mais atenção as relações, a corporeidade, a vulnerabilidade, o cuidado e a justiça. Isso não exclui outras formas de olhar, mas amplia a compreensão da realidade e enriquece a reflexão teológica.
Assim, não se trata de substituir uma visão por outra, mas de integrar experiências historicamente pouco consideradas. Quando a teologia se abre a essas dimensões, ela se torna mais próxima da vida concreta, mais encarnada e, por isso mesmo, mais fiel ao próprio Evangelho.
3. E como é estudar a mulher no contexto teológico?
Eu não estudo a mulher exatamente, como um objeto, mas faço teologia desde esse lugar. Minha pesquisa se concentra em espiritualidade, mística, antropologia teológica e teologia ecofeminista, e é nesse horizonte que a questão das mulheres aparece.
Nesse caminho, torna-se evidente que as mulheres sempre estiveram presentes na vida da Igreja e na experiência de fé, mas nem sempre foram reconhecidas como sujeitos teológicos. Recuperar esse lugar é dar visibilidade a vozes, experiências e práticas que revelam Deus de maneira profunda.
Ao mesmo tempo, trata-se de um exercício crítico e discernido: olhar para a tradição com respeito, mas também com responsabilidade, buscando identificar aquilo que promove a dignidade humana e aquilo que precisa ser continuamente reinterpretado à luz do Evangelho.
4. Como é apresentada essa perspectiva da importância da mulher dentro da visão da Igreja e da teologia?
A Igreja afirma, de modo muito claro, que homem e mulher possuem igual dignidade diante de Deus. Pelo batismo, todos participam da mesma filiação divina e da mesma vocação cristã. Como ensina o Concílio Vaticano II, “vigora entre todos verdadeira igualdade no concernente à dignidade e à ação comum a todos os fiéis para a edificação do Corpo de Cristo” (Lumen Gentium 32); e a Gaudium et Spes recorda a “igualdade fundamental entre todos”, rejeitando toda discriminação, inclusive por motivo de sexo.
A teologia procura aprofundar essa verdade e mostrar suas consequências concretas para a vida da Igreja e da sociedade. Por isso, refletir teologicamente sobre a mulher não significa reivindicar privilégios, mas reconhecer, com mais clareza, a dignidade, a responsabilidade e a contribuição feminina na experiência cristã. Qualquer visão que reduza a mulher a um lugar secundário não corresponde plenamente nem ao Evangelho nem à antropologia cristã.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que essa igualdade nem sempre se traduziu em práticas concretas ao longo da história. Por isso, hoje cresce na Igreja o reconhecimento da presença feminina na pastoral, na formação, na reflexão teológica e na construção de comunidades mais humanas e fraternas. Como recorda o Papa Francisco, as mulheres têm “a mesma dignidade e idênticos direitos dos homens”. E o Papa Leão XIV, em intervenções recentes, também tem ressaltado que a violência contra as mulheres fere profundamente a vida humana e cristã, ao mesmo tempo em que reconhece nelas um protagonismo essencial numa cultura do cuidado, da fraternidade, da esperança e da justiça.
5. De que forma a Bíblia apresenta a figura de Maria?
Maria é apresentada como mulher de fé, de escuta e de coragem. Nos Evangelhos, ela não aparece como uma figura passiva, mas como alguém que participa ativamente do projeto de Deus. No Evangelho de Lucas, especialmente na Anunciação (1,26 - 38) e na Visita a Isabel (1,39 - 45), vemos uma mulher que escuta, discerne, pergunta e responde livremente, colocando-se a caminho. É significativo que esse encontro aconteça entre duas mulheres, fora dos espaços institucionais e sem mediações, revelando um lugar teológico onde Deus também se manifesta.
No Magnificat (1,46 - 55), Maria se apresenta como mulher profética: reconhece a ação de Deus em sua vida, mas também anuncia sua justiça, lembrando que Ele “derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes”. Sua fé não é apenas interior, mas tem dimensão social, voltada para os pobres e os esquecidos.
No Evangelho de João, nas Bodas de Caná (2,1 - 11), Maria novamente aparece atenta à realidade. Ela percebe a falta do vinho, intervém e orienta os servos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Aqui, ela se mostra como mulher sensível, mediadora e profundamente confiante em Deus.
Assim, Maria é uma figura profundamente humana: sensível, corajosa e disponível. E é justamente por isso que se torna referência para a vida espiritual, pois sua grandeza está em buscar, em tudo, realizar a vontade de Deus em sua vida.
6. Qual relação podemos fazer da Maria, que viveu na sociedade do seu tempo, com as mulheres da sociedade atual?
Gosto muito de perguntar, quando trato desse tema: o que Maria tem a dizer ao ser humano contemporâneo? Ao olhar para essa jovem de seu tempo, percebemos que ela viveu em um contexto marcado por limites sociais, inseguranças e diversas formas de opressão, como acontecia com todo o seu povo e, de modo particular, com as mulheres. Ainda assim, sua experiência revela uma profunda liberdade interior, nascida da fé e da confiança em Deus.
Por isso, Maria continua sendo uma presença inspiradora para as mulheres de hoje. Ela mostra que é possível viver a fé com coragem, discernimento e compromisso com a justiça, sem reduzir a identidade feminina a papéis fixos ou culturalmente impostos.
Maria também nos recorda que o corpo e a vida concreta não são realidades menores na experiência da fé. Em sua maternidade, vemos que Deus entra na história humana de modo real e profundo, assumindo a condição humana por meio da vida de uma mulher. Isso confere grande dignidade à experiência feminina e nos ajuda a superar visões que, ao longo do tempo, desvalorizaram o corpo, a vida cotidiana e a presença das mulheres na história da salvação.
Assim, Maria não fala apenas às mulheres, mas à humanidade inteira: ela nos ensina que a abertura a Deus não aliena da realidade, mas nos torna mais disponíveis para acolher, cuidar e transformar a vida.
7. Você considera que os dogmas marianos (Virgem, mãe, imaculada e assunta) contemplam o todo do que Ela foi enquanto mulher?
Os dogmas marianos expressam dimensões fundamentais da fé da Igreja e revelam a profundidade do mistério de Maria sempre em relação a Cristo e à história da salvação. Em outras palavras, ao falar de Maria, os dogmas nos conduzem ao centro da fé cristã, mostrando como Deus realizou nela um projeto único de graça e de participação na obra da redenção.
Ao mesmo tempo, eles não esgotam toda a riqueza da experiência humana e espiritual de Maria. Ela foi uma mulher concreta, inserida em seu tempo, que viveu alegrias, desafios, dúvidas e escolhas, sustentada por uma fé profunda. Recuperar essa dimensão não diminui os dogmas; ao contrário, permite compreendê-los de forma mais encarnada e próxima da vida real.
Na experiência pastoral latino-americana, especialmente nas comunidades e na vida do povo, Maria é também reconhecida como mulher de fé, coragem e solidariedade, próxima das lutas cotidianas. Essa recepção ajuda a perceber que sua grandeza não a distancia, mas a torna ainda mais próxima: uma mulher que, ao mesmo tempo, é elevada por Deus e profundamente solidária com a humanidade.
Por isso, talvez possamos dizer que os dogmas são essenciais, mas precisam ser contemplados em unidade com a Maria do Evangelho e da história. É nessa integração que sua figura se revela em toda a sua beleza: santa, mas não distante; escolhida por Deus, mas profundamente humana; modelo de fé que continua inspirando a vida cristã de modo concreto.
8. Hoje a maioria das lideranças nas pastorais e serviços sociais é feminina, mas nem sempre foi assim. O que levou a essa mudança e como a teologia vê isso?
Talvez possamos relativizar um pouco a ideia de que essa presença feminina seja algo totalmente novo. Ao longo da história da Igreja, sempre encontramos mulheres que exerceram um papel fundamental na vida pastoral, na transmissão da fé e no cuidado das comunidades, ainda que nem sempre tenham sido plenamente reconhecidas ou visibilizadas. O que percebemos hoje é um processo mais amplo de transformação social e eclesial, em que o protagonismo feminino se torna mais evidente e também mais reconhecido. As próprias mulheres têm assumido sua voz, sua responsabilidade e seu lugar na Igreja e na sociedade, o que contribui para uma presença mais ativa e consciente.
Do ponto de vista teológico, esse movimento pode ser compreendido como um verdadeiro “sinal dos tempos”, ou seja, como a ação do Espírito que continua conduzindo a Igreja e abrindo novos caminhos de participação, corresponsabilidade e reconhecimento.
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que ainda há um percurso a ser feito, especialmente no que diz respeito à presença feminina nos espaços de decisão. O desafio é continuar avançando para que o protagonismo já vivido na prática também encontre maior expressão no reconhecimento institucional e na vida eclesial como um todo.
9. Fazendo uma outra análise, nas dinâmicas familiares, como você vê o papel da mulher na condução da vida financeira e espiritual?
Acredito que cada família, em sua realidade concreta, vai discernindo o que é melhor para si. Não há uma única forma de organização que possa ser aplicada a todas. Se, em determinada família, a mulher assume com mais naturalidade a condução da vida financeira, não há razão para que isso seja rigidamente atribuído ao homem - e o mesmo vale no sentido inverso.
Historicamente, os papéis sociais associaram a mulher ao espaço privado e o homem ao espaço público. No entanto, essa divisão não corresponde plenamente à realidade da vida nem ao horizonte do Evangelho, que nos convida a relações marcadas pela reciprocidade, pelo cuidado e pela responsabilidade compartilhada.
Hoje vemos, com mais clareza, mulheres participando ativamente das decisões econômicas, espirituais e sociais, assim como homens cada vez mais presentes na vida doméstica e afetiva. Isso não fragiliza a família; ao contrário, a fortalece.
Por isso, o mais importante não é a distribuição rígida de funções, mas a corresponsabilidade. Quando há diálogo, respeito e consenso, cada pessoa pode encontrar seu lugar e exercê-lo com liberdade e compromisso, contribuindo para o bem comum da família.
10. Como a Igreja pode ser um espaço ainda mais seguro e igualitário, de reconhecimento da importância da mulher, dentro e fora de suas paredes?
Acredito que o Sínodo sobre a Sinodalidade representa um passo muito significativo nesse caminho. Ele recolocou no centro da vida da Igreja três dimensões essenciais: escuta, participação e corresponsabilidade, que fazem parte da própria identidade e missão eclesial. A sinodalidade nos ajuda a compreender que todos os batizados são chamados a contribuir com a vida da Igreja a partir de seus dons e vocações. Nesse sentido, a presença e a contribuição das mulheres precisam ser cada vez mais reconhecidas e valorizadas nos espaços de escuta, reflexão e discernimento comunitário. Mais do que uma questão organizacional, trata-se de um caminho de conversão pastoral e espiritual: reconhecer que a igualdade não é uma concessão, mas expressão da dignidade batismal de todos e todas. Quando a Igreja assume seriamente esse horizonte, torna-se um espaço mais seguro, mais justo e mais fiel ao Evangelho. Assim, avançar na sinodalidade significa também favorecer uma participação cada vez mais efetiva das mulheres na vida e na missão da Igreja, em coerência com aquilo que já vivem e realizam no cotidiano das comunidades.
11. Falando de reconhecimento e respeito... O que diz a Bíblia sobre isso e como é na prática, nesse mundo moderno em que vivemos?
A Bíblia afirma, de forma muito clara, a dignidade de toda pessoa humana como imagem de Deus. Já no Livro do Gênesis, lemos que homem e mulher são criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26–27), o que fundamenta uma igualdade essencial entre todos.
Essa verdade é retomada com ainda mais força no Novo Testamento, em Gálatas 3,28: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus.” Esse texto não elimina as diferenças concretas, culturais, sociais ou de gênero, mas afirma que nenhuma dessas diferenças pode ser usada como fundamento de desigualdade diante de Deus.
Em Jesus Cristo, a dignidade não é hierarquizada: todos participam da mesma filiação e da mesma vocação. Trata-se de um princípio profundamente libertador, que questiona qualquer estrutura que naturalize desigualdades como se fossem expressão da vontade divina.
Na prática, isso nos chama a construir relações marcadas pelo respeito, pela justiça e pelo cuidado mútuo. Sabemos que ainda há muitos desafios, mas o Evangelho continua sendo um critério fundamental para iluminar a realidade e transformar, com responsabilidade e esperança, as situações que geram desigualdade.
12. Jesus teve a participação de mulheres importantes em sua vida. O que elas representavam para Ele? Essas lições bíblicas podem ser aplicadas à nossa sociedade?
Jesus rompeu barreiras culturais de seu tempo ao dialogar, acolher e confiar às mulheres um lugar significativo em sua missão. Elas não foram figuras secundárias, mas discípulas, testemunhas e, em muitos momentos, protagonistas. A mulher samaritana, por exemplo, no Evangelho de João (Jo 4), torna-se anunciadora: após seu encontro com Jesus, ela volta à sua cidade e testemunha aquilo que viveu. Maria, sua mãe, aparece como mulher de fé e confiança, que acompanha e sustenta o caminho de Jesus. Já Maria Madalena é reconhecida como a primeira testemunha da ressurreição, enviada a anunciar a boa notícia aos discípulos. Essas presenças mostram que, para Jesus Cristo, não há hierarquia de dignidade. O que conta é a abertura do coração, a fé e a disponibilidade para acolher e anunciar o Reino.
Essa atitude continua sendo profundamente atual. Ela nos desafia, ainda hoje, a reconhecer o lugar das mulheres na vida da Igreja e da sociedade, não como exceção, mas como parte essencial da própria experiência cristã.
13. A teologia pode ajudar a desconstruir os estereótipos de "mulher submissa" ou "frágil" em favor de uma visão de mais igualdade e dignidade?
Sim. A teologia, quando fiel ao Evangelho, nos ajuda a perceber que esses estereótipos não correspondem ao projeto de Deus. A fragilidade e a força fazem parte da condição humana e não são atributos exclusivos de um gênero. A própria Escritura afirma a igualdade fundamental entre homem e mulher. Como citato anteriormente, o Livro do Gênesis (Gn 1,26–27), e, na Epístola aos Gálatas, encontramos uma das expressões mais fortes dessa verdade (Gl 3,28). Além disso, é importante afirmar que homem e mulher não são incompletos em si mesmos, como se precisassem do outro para existir plenamente. Cada pessoa é inteira diante de Deus, chamada a uma vida plena. A relação entre homem e mulher, portanto, não é de dependência, mas de comunhão. A vocação humana é, antes de tudo, a comunhão com Deus e é a partir dessa plenitude que se constroem também as relações humanas.
14. Como a espiritualidade cristã pode contribuir para a humanização das relações e o fim da discriminação?
A espiritualidade cristã é um caminho de encontro profundo com Jesus Cristo, que nos configura ao seu modo de viver e de amar. Ao nos abrirmos à experiência do amor de Deus, somos também transformados em nossa maneira de nos relacionar: quem experimenta o amor, ama. Esse caminho espiritual nos educa para olhar o outro como irmão e irmã, reconhecendo sua dignidade e singularidade. Mais do que uma ideia, trata-se de uma experiência que nos leva a sair de nós mesmos e a nos colocar no lugar do outro, a sofrer com quem sofre e a nos alegrar com quem se alegra. É uma escola de compaixão, solidariedade, discernimento e cuidado. A espiritualidade cristã não permanece apenas no interior da pessoa, mas se traduz em atitudes concretas. Ela transforma relações, questiona estruturas injustas e contribui para a construção de uma sociedade mais humana, justa e fraterna.
Assim, o combate à discriminação não nasce apenas de normas ou discursos, mas de corações transformado capazes de reconhecer no outro não um diferente, mas um semelhante, igualmente amado por Deus.
Revista Arquidiocesana Nossa Senhora Aparecida
Data de Publicação
Sexta-feira, 15 de maio de 2026
11:06
Autor
Alice Zanini
Tempo de Leitura
5 minutos
Categoria
Arquidiocese Cascavel

15/05/2026 • 5 min

09/04/2026 • 5 min

02/03/2026 • 5 min