Decisão pode provocar nova Intifada, alerta Diretor das POM na Terra Santa

06 de dezembro de 2017 às 15:39
Decisão pode provocar nova Intifada, alerta Diretor das POM na Terra Santa


Cidade do Vaticano (RV) –  “Era fácil reconhecer que se trata de uma péssima ideia, que poderia também provocar uma nova Intifada”, alertou o Diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias na Terra Santa, Padre Mikhael Abdo Abdo OCD, ao comentar a eventual transferência da Embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

“E não se entende quem tem interesse em criar novos problemas aqui – continuou ele - justamente quando estamos nos preparando para o Natal do Senhor. (...) Faço votos de que este passo da administração EUA represente somente um movimento feito com o objetivo de verificar quais seriam as reações. Mas as reações já eram previsíveis”.

Papa Francisco

Na terça-feira, 5, o Presidente palestino Abu Mazen havia conversado por telefone com o Papa sobre esta questão.  E na Audiência Geral desta quarta-feira, o Pontífice afirmou não poder silenciar sua “profunda preocupação pela situação que se criou nos últimos dias”, lançando um apelo: 

Dirijo “um forte apelo para que seja compromisso de todos respeitar o status quo da cidade, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, disse o Papa. Jerusalém é uma cidade única, sagrada para os judeus, os cristãos e os muçulmanos, que nela veneram os Locais Santos das respectivas religiões, e tem uma vocação especial à paz. Peço ao Senhor que esta identidade seja preservada e reforçada em benefício da Terra Santa, do Oriente Médio e do mundo inteiro e que prevaleçam sabedoria e prudência, para evitar acrescentar novos elementos de tensão num panorama mundial já turbulento e marcado por inúmeros e cruéis conflitos.”

Igreja copta

Também a Igreja Copta Ortodoxa manifestou-se por meio de um comunicado sobre o anúncio da administração Trump, alertando de que a eventual transferência da Embaixada estadunidense para Jerusalém, “teria consequências negativas”.

Segundo a nota, é necessário “tutelar o status jurídico de Jerusalém”, de acordo com as resoluções da ONU sobre a Cidade Santa.

Reconhecer Jerusalém como capital exclusiva de Israel iria contra todas as convenções internacionais a este respeito – alerta o Patriarcado copta – e comprometeria as tentativas de superar as contendas por meio do diálogo e de soluções compartilhadas, que sejam respeitosas do perfil espiritual da Cidade Santa e de sua história.

(Fides)