Santuário do Despojamento em Assis: redescobrir a simplicidade

18 de maio de 2017 às 11:43
Santuário do Despojamento em Assis: redescobrir a simplicidade


Assis (RV) -  "Por que 800 anos depois?". Com esta interrogação teve início a reflexão do Bispo da Diocese de Assis-Nocera Úmbria-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino, ao presidir no último domingo (14/05) em Assis às Solenes Vésperas e a procissão com aquela que é considerada a primeira relíquia de São Francisco, ou seja, o manto com que o Bispo Guido cobriu a nudez de Francisco ao despir-se em Praça pública, como sinal de total despojamento dos bens terrenos.

A procissão com um fragmento do manto partiu da Basílica de Santa Clara após a celebração das Vésperas, para então chegar ao novo Santuário, confiado pelo bispo aos cuidados dos frades menores capuchinhos. A inauguração está sendo marcada por celebrações e intensas atividades desde o dia 14 até 21 de maio.

Gesto que nos interpela

"Devemos nos perguntar isto - exortou o prelado. Também eu me questiono: o que eu teria feito no lugar do Bispo Guido? Depois de onze anos, finalmente, consegui ver surgir este Santuário do Despojamento. Desde que cheguei a Assis, não houve dia em que este lugar não tenha me levado a refletir e provocado uma sã inquietação".

"Ora - considerou Dom Domenico -  neste tempo em que um punhado de homens possui toda a riqueza, ao lado de tanta miséria, e uma imensidão de pessoas vive na indiferença e na pobreza mais extrema, recordemo-nos de Francisco, que depois de 25 anos de seu batismo, reencontrou o caminho possível e o percorreu. Também nós podemos fazer o mesmo".

A caminhada com aquela que é considerada como "a primeira relíquia de São Francisco" foi uma "procissão orante", acompanhada por muitos fiéis, também pela transmissão via web.

A fisionomia de Assis está completa

"Este é um Santuário de vida. O novo Santuário ereto no Natal assume agora a sua plena fisionomia - disse o prelado ao chegar no Santuário do Despojamento, tendo em mãos a preciosa relíquia. Este ícone deve ajudar-nos a construir a Igreja, a construir a família. Ele contribuirá à grande mensagem de Assis que é um santuário a céu aberto. O elo que faltava agora existe, a fisionomia de Assis agora está completa".

Em breve - antecipou Dom Domenico - estará pronto o livro-dossiê que, entre outras coisas, apresentará as fontes franciscanas referentes a este acontecimento.

Papa Francisco e o despojamento

Durante todo o dia foram desenvolvidas inúmeras atividades em Assis, como uma mesa-redonda intitulada "O Despojamento hoje, a provocação do Papa Francisco", reunindo o Arcebispo de Bolonha, Dom Matteo Maria Zuppi e a Prefeita de Assis, Stefania Proietti.

"Este Santuário - sublinhou o prelado - nos ajuda a viver este momento no qual o Papa Francisco nos compromete. O despojamento é uma grandíssima oportunidade para redescobrir a sobriedade e a simplicidade e viver as coisas belas e verdadeiras que contam, abandonando um consumismo devastador. E a Igreja deve começar a despojar-se daquelas  riquezas e daquele bem-estar que condicionam mais do que possamos acreditar. Também para a Igreja o despojamento é possível, o despojamento da organização, da superestrutura, reapropriando-nos da alegria, aquela que vem do Evangelho".

Durante o domingo também foram apresentadas as atividades do  Instituto Seráfico, fundado pelo frade franciscano São Ludovico de Casória em17 de setembro de 1871 - dia em que São Francisco recebeu os estigmas. O instituto atende crianças e jovens com necessidades especiais, provenientes de todo o território italiano.

Nova pérola no panorama religioso da Cidade seráfica

O Santuário que será inaugurado em 20 de maio é uma “nova pérola” no panorama religioso da “Cidade seráfica”, que oferecerá à comunidade cristã e aos peregrinos outra “grande oportunidade” da qual “se pode esperar frutos espirituais e pastorais”, escreveu o Papa Francisco na carta endereçada a Dom Domenico Sorrentino no Domingo de Páscoa. 

(JE/assisnews)