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Memória de 13 de maio de 1981: um jovem turco dispara contra São João Paulo II

15 de maio de 2017 às 12:03
Memória de 13 de maio de 1981: um jovem turco dispara contra São João Paulo II


Era 13 de maio de 1981. Uma quarta-feira ensolarada de primavera dos tempos em que a mídia mundial ainda celebrava, há dois anos, a semanal aparição de um papa que mudara a história do Vaticano. Paulo VI, no final do seu pontificado, tinha dificuldades para esse tipo de encontro por causa da idade e da saúde. João Paulo I foi um meteoro. Apareceu de modo a causar simpatia geral, mas faleceu com um pouco mais de um mês depois de sua eleição. João Paulo II chegou trazendo novidades: o papa mais jovem do século 20; um não-italiano que assumira o Trono de Pedro desde o holandês, Adriano VI, em 1522 e o primeiro papa a sair e entrar pela famosa “cortina de ferro” representada pelos países socialistas do leste europeu.

Os projéteis feriram o estômago, a mão esquerda e o cotovelo do Papa

O jovem turco Mehemet Ali Agca disparou três vezes com uma pistola Browning de nove milímetros a menos de sete metros de distância do Papa enquanto fazia um percurso cumprimentando os fiéis nos corredores montados pelos funcionários da Santa Sé para as audiências gerais na Praça de São Pedro. João Paulo II foi atingido por duas balas e foi amparado por seus auxiliares. Os projéteis feriram gravemente o estômago, a mão esquerda e o cotovelo do Papa. Imediatamente, a mídia mundial entrou em pânico. As agências de notícias, a internet da época, espalhou o registro do atentado para todos os continentes e começaram a aparecer as teses sobre as razões que levaram aquele magrinho de barba a querer matar o Papa que angariava simpatias em todo canto.

Tese conspiratória

Eram anos da chamada Guerra Fria. Quase tudo, no debate público a respeito de relacionamento entre as nações tinham a ver com a luta entre os Estados Unidos e a então aliança comunista chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Falou-se, inicialmente, que os países do leste europeu tivessem interesse na morte do Papa pelo fato dele manifestar pouca disposição em abençoar a expansão comunista. Ficou famosa a tese de que o governo búlgaro estivesse por trás de Ali Agca.

Agca foi preso imediatamente pela polícia italiana e depois de dois anos do atentado, o João Paulo II o visitou e o perdoou na cadeia de Ancona, na região central da Itália

A ficha corrida do turco mostrava, no entanto, que ele tinha condições para pessoalmente querer ser protagonista solitário de um caso daquele tipo. A revista Superinteressante, em edição de setembro de 2005, afirmava que ele publicara uma carta em um jornal de Istambul contra João Paulo II. Criticava “os imperialistas ocidentais” que enviavam à Turquia “o comandante das Cruzadas” e ameaçava: “Se essa visita não for cancelada, vou, sem dúvida alguma, matar o comandante-papa”.  A revista ainda  apurou que Agca “envolvera-se com grupos de extrema-direita e com a ‘máfia turca’, chegara a ser preso por participação num assassinato e era acusado de operar com contrabando de armas e drogas”.

Agca foi preso imediatamente pela polícia italiana e depois de dois anos do atentado, o João Paulo II o visitou e o perdoou na cadeia de Ancona, na região central da Itália. No ano de 2000, ele ganhou a anistia da Justiça italiana e foi extraditado para a Turquia onde cumpriu dez anos de prisão. Ele foi solto em 18 de janeiro de 2010. Em 27 de dezembro de 2014, trinta e três anos após o crime que cometeu, Agca voltou ao Vaticano e depositou rosas na tumba do Papa João Paulo II.

O Terceiro Segredo de Fátima

Curiosidade. Milenarismos. Superstições. Ameaças. Tudo isso circulou em torno do chamado Terceiro Segredo que faltava ser revelado das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Artigo de teor formativo publicado pelo portal da Canção Nova, conta que “a revelação do segredo, feita por meio da Sagrada Congregação da Fé, com uma interpretação feita, a pedido do Papa, pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa emérito Bento XVI, prefeito da citada congregação na época, viu-se que se trata de uma visão do século XX, século este impregnado de mártires do comunismo, do nazismo e de outras forças inimigas da Igreja e de Deus. Milhões morreram pela fé”.

O artigo continua: “na entrevista que Dom Tarcísio Bertone, então Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, teve com a Irmã Lúcia, por ordem do Sumo Pontífice, em 27 de abril de 2000, no Carmelo de Coimbra, onde vivia a religiosa, esta, lúcida e calma, concordou com a interpretação do segredo, segundo a qual a terceira parte do Segredo de Fátima consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Irmã Lúcia confirmou, segundo artigo, “que a principal personagem do segredo era o Santo Padre e recordou como os pastorinhos tinham pena dele. Com relação ao ‘Bispo vestido de branco’ (o Papa), que é ferido de morte e cai por terra, a Irmã concordou plenamente com a afirmação do saudoso Papa João Paulo II: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre deteve-se no limiar da morte” (Meditação com os Bispos italianos na Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994)”.