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Bispo argentino põe fim à difusão de mensagens sobre Virgem do Rosário de San Nicolás

16 de maro de 2017 às 16:58
Bispo argentino põe fim à difusão de mensagens sobre Virgem do Rosário de San Nicolás


O Bispo de San Nicolás de los Arroyos, na Argentina, Dom Hugo Santiago, determinou “pôr um fim, de maneira definitiva, a difusão das mensagens da Sra. Gladys Motta referidas à Virgem Maria” em sua devoção de Maria do Rosário de San Nicolás.

Em uma mensagem dirigida aos fiéis da Diocese, Dom Santiago informou, após consultar Roma acerca desta possibilidade, que “o Vaticano respondeu afirmativamente que isto era algo mais conveniente para a fé mariana”.

“Para que o acontecimento mariano de San Nicolás continue sendo digno de fé, é conveniente pôr fim à difusão das mensagens que seguirei recebendo e guardando nos arquivos da Diocese”, precisou o Prelado.

A história é de 1983, quando alguns rosários nas casas da cidade bonaerense de San Nicolás de los Arroyos se iluminaram, sem nenhuma explicação.

Ao ver este acontecimento, uma mãe chamada Gladys Quiroga de Motta começou a rezar à Virgem Maria, que apareceu para ela mais de uma vez, a partir do dia 25 de setembro de 1983.

A Virgem ordenou a construção de um templo no local das aparições. Além disso, de acordo com o vidente, começou a dar uma série de mensagens de chamado à oração, à conversão e à consagração.

Em seu vídeo, Dom Santiago explicou que o então Bispo de San Nicolás, Dom Domingo Salvador Castagna, fez um discernimento sobre as mensagens da Virgem Maria e, depois de consultar o Papa São João Paulo II, os considerou “digno de fé”.

“Por isso que decidiu a construção de um santuário dedicado a Nossa Senhora do Rosário de San Nicolás”, explicou Dom Santiago.

Entretanto, depois de consultar teólogos e psicólogos, em 1990, Dom Castagna decidiu “pôr fim à difusão das mensagens de Gladys Motta relacionada à Virgem, por considerá-las suficientes e para evitar que tais mensagens se desvirtuem”.

“Ou seja, que a senhora Gladys apresentou como mensagens da Virgem o que na verdade eram as suas próprias reflexões”, precisou o Prelado.

“Advertiram ao bispo que isto poderia acontecer com o passar do tempo, então o que havia sido digno de fé no princípio, poderia não ser com o passar do tempo”.

Além disso, os teólogos aconselharam Dom Castagna, “dizendo que a revelação privada, as mensagens de Gladys neste caso, deveriam estar a serviço da revelação sobrenatural dada através da Sagrada Escritura, da tradição e do Magistério, que não poderiam substituí-la nem prejudicá-la”.

“Deste modo, a partir de 1990 havia que colocar a atenção não nas mensagens, que é o acontecimento originário, mas no santuário como Casa de Deus, onde é venerada a imagem de Nossa Senhora de San Nicolás, e na conversão dos peregrinos que ao chegar ao santuário sentiam a vontade de se confessar, de celebrar o sacramento da Reconciliação como uma graça da Virgem. Isto é o que é chamamos de acontecimento originado”, disse Dom Santiago.

Em conclusão, continuou o atual Bispo de San Nicolás, “o que consultei a Roma foi tornar definitiva a decisão de Dom Salvador Castagna em 1990”.

Isto é, “deixar de publicar as mensagens para que o acontecimento mariano de San Nicolás continue sendo digno de fé e nos leve a seguir a Cristo através do Ano litúrgico, o qual nos apresenta toda a vida de Cristo e de Maria. E é o lugar que a Igreja nos propõe para crescer na fé católica”.

O bispo esclareceu que continuará “recebendo e guardando nos arquivos da diocese, escritos pela senhora Gladys, a fim de que no futuro, quando nem nós nem a senhora Gladys estaremos nesta terra, possam ser analisados pela Igreja, porque a Igreja não canoniza ninguém em vida”.